segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A ALEGRIA DO BRASILEIRO


Foram dez dias dedicados em conhecer como anda a vida dos moradores de Ouro Preto e Conselheiro Lafaiete. Conheci pessoas que moram em casas confortáveis com uma condição social que reflete o perfil da nova classe média brasileira, mas também pude perceber os contrastes que ainda existem entre os públicos.

Numa mesma rua onde há famílias que vivem dignamente com uma renda mensal acima de R$2000,00, praticamente ao lado me deparei com pessoas em condições precárias. Alguns são aposentados que gastam o pouco que recebem com remédio e o que sobra mal dá para comer. Dona Maria Brígida, uma senhora de 71 anos, quase não me recebeu quando expliquei o motivo pelo qual estava ali. Ela fez muitas críticas ao governo e disse que principalmente a área da saúde é a que mais precisa de atenção. "Onde já se viu esperar mais de três meses para conseguir marcar uma consulta com um médico especialista em joelho, isso é um absurdo", disse a aposentada com muita raiva.

O que mais me chamou a atenção nesses dias foi o fato de que apesar da situação econômica de algumas pessoas não ser das melhores, a maioria está sempre com um sorriso nos lábios e bem-humorados. Uma alegria que não combina com a receptividade pela qual fui recebido por um casal num barraco com goteiras de chuva pingando pelos cômodos da casa sem rebôco e piso de cimento. A cena me comoveu, o moço colocando vasilhas sobre a mesa para não molhar o aparelho da pesquisa e as paredes da cozinha encharcadas só aumentava minha tensão. Em silêncio eu meditava: Meu Deus que coragem essas pessoas viverem aqui, quanta injustiça social há nesse país...

No entanto, a felicidade desse casal se resume devido a chegada de Brenda, a mais nova moradora com apenas dois dias de nascida, cujo o quarto do casal fora o único reformado para recebê-la.

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