quinta-feira, 17 de abril de 2014

Diretora da Casa de Cultura vê com bons olhos o desenvolvimento do cenário cultural na cidade


 Existe um ditado popular que diz que “santo de casa não faz milagre”, e ainda aquele que afirma: “Prata da casa não tem valor”. Embora algumas pessoas torçam o nariz para os talentos artísticos da cidade, muitos grupos têm conseguido se manter há anos, e já fazem parte do cenário cultural da região. Segundo a diretora da Casa de cultura, Rose Medeiros, Teófilo Otoni tem uma veia artística muito forte. “A partir do momento que o Sistema Nacional de Cultura for implantado, acredito que os sistemas municipais vão conseguir organizar a classe artística. Nós temos aqui inúmeras entidades organizadas com muitos anos de funcionamento, e incentivamos a criação dessas associações, pois quando o artista está ligado a esses grupos tem um poder muito maior de força, porque são várias pessoas ali reunidas com o mesmo objetivo. Assumimos a divisão de cultura em março de 2013, com o compromisso de fazer a implementação do Sistema Municipal de Cultura, criado em dezembro de 2012, mas nenhuma atividade aconteceu de lá pra cá devido à mudança de governo na época. Dessa forma, fizemos um trabalho intenso no ano passado, quando foi aberto um sistema de cadastramento dos artistas, agentes e produtores culturais na Casa de Cultura”, explica Rose.

Conselho municipal de política cultural
De acordo com Medeiros, o cadastro não será fechado, pois é um dos pontos constantes no Sistema Municipal de Cultura, que serve para organizar ou mapear as atividades artísticas que existem na cidade. “Eu quero aproveitar a oportunidade para fazer um chamamento para que os artistas venham à casa de cultura, ou acessem o cadastro online disponível na nossa fan page pelo facebook. É só preencher os dados e anexar os documentos necessários e trazer pra gente aqui. Quem está cadastrado nesse sistema vai poder votar para a eleição do Conselho Municipal de Política Cultural. Nós já estamos discutindo com as entidades, porque é um conselho paritário, onde vamos ter o mesmo número de pessoas representantes da sociedade civil e do poder público”, disse Rose.

Na última semana foi realizada uma reunião com os representantes da classe artística e ficou definido que a partir de agora começam as articulações ou providências burocráticas. A diretora de cultura fez um contato com a secretaria de Estado da Cultura, no sentido de que eles possam orientá-la, para assim, documentar o modelo de conselho a ser implantado em Teófilo Otoni. Para Rose a Casa de Cultura é um ponto de cultura, e a ideia é criar pontos de cultura em vários pontos da cidade. “Já vamos iniciar aqui uma primeira atividade que é uma oficina de musicalização, queremos trabalhar com a comunidade do nosso entorno. O projeto já está pronto e fomos procurados para fazer uma parceria com a Polícia Militar, ela vai nos assessorar com os músicos para ministrar as oficinas, com crianças de 8 a 16 anos. Eu vejo um caminho longo para ser trilhado, mas com muita possibilidade de êxito, acredito que daqui há dois ou três anos a gente vai ter outro cenário cultural na cidade, a nossa realidade vai ser outra”, é o que espera a diretora da Casa de Cultura.

Uma cidade sem cinema

Segundo Rose Medeiros, o fato de a cidade não ter mais nenhum cinema é em razão de um fenômeno que aconteceu em todo o país, mas que muito em breve será revertido. “O município já percebeu, a classe artística cobra, e também o poder público sabe dessa necessidade, então acredito que será uma questão de tempo.  Tive a oportunidade de conversar inúmeras vezes com a diretoria do Cine Palácio, e ouvi deles e entendi perfeitamente a dificuldade de manutenção de um espaço daquele, a manutenção é muito grande. Então, vamos pensar em formatos menores que são as salas de cinema como já vem acontecendo nas capitais há anos, salas com 60 ou 80 lugares. Tem que partir para esse formato novo, e despertar nas pessoas novamente o interesse pelo cinema, de voltar a ter o prazer de sair de casa e falar: Eu vou ao cinema!”, defendeu Rose.

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