
Existe um ditado
popular que diz que “santo de casa não faz milagre”, e ainda aquele que afirma:
“Prata da casa não tem valor”. Embora algumas pessoas torçam o nariz para os
talentos artísticos da cidade, muitos grupos têm conseguido se manter há anos,
e já fazem parte do cenário cultural da região. Segundo a diretora da Casa de cultura,
Rose Medeiros, Teófilo Otoni tem uma veia artística muito forte. “A partir do
momento que o Sistema Nacional de Cultura for implantado, acredito que os
sistemas municipais vão conseguir organizar a classe artística. Nós temos aqui
inúmeras entidades organizadas com muitos anos de funcionamento, e incentivamos
a criação dessas associações, pois quando o artista está ligado a esses grupos
tem um poder muito maior de força, porque são várias pessoas ali reunidas com o
mesmo objetivo. Assumimos a divisão de cultura em março de 2013, com o
compromisso de fazer a implementação do Sistema Municipal de Cultura, criado em
dezembro de 2012, mas nenhuma atividade aconteceu de lá pra cá devido à mudança
de governo na época. Dessa forma, fizemos um trabalho intenso no ano passado,
quando foi aberto um sistema de cadastramento dos artistas, agentes e
produtores culturais na Casa de Cultura”, explica Rose.
Conselho
municipal de política cultural
De acordo com Medeiros,
o cadastro não será fechado, pois é um dos pontos constantes no Sistema Municipal
de Cultura, que serve para organizar ou mapear as atividades artísticas que
existem na cidade. “Eu quero aproveitar a oportunidade para fazer um chamamento
para que os artistas venham à casa de cultura, ou acessem o cadastro online
disponível na nossa fan page pelo facebook. É só preencher os dados e anexar os
documentos necessários e trazer pra gente aqui. Quem está cadastrado nesse
sistema vai poder votar para a eleição do Conselho Municipal de Política
Cultural. Nós já estamos discutindo com as entidades, porque é um conselho
paritário, onde vamos ter o mesmo número de pessoas representantes da sociedade
civil e do poder público”, disse Rose.
Na última semana foi
realizada uma reunião com os representantes da classe artística e ficou
definido que a partir de agora começam as articulações ou providências
burocráticas. A diretora de cultura fez um contato com a secretaria de Estado
da Cultura, no sentido de que eles possam orientá-la, para assim, documentar o modelo
de conselho a ser implantado em Teófilo Otoni. Para Rose a Casa de Cultura é um
ponto de cultura, e a ideia é criar pontos de cultura em vários pontos da
cidade. “Já vamos iniciar aqui uma primeira atividade que é uma oficina de
musicalização, queremos trabalhar com a comunidade do nosso entorno. O projeto
já está pronto e fomos procurados para fazer uma parceria com a Polícia Militar,
ela vai nos assessorar com os músicos para ministrar as oficinas, com crianças
de 8 a 16 anos. Eu vejo um caminho longo para ser trilhado, mas com muita
possibilidade de êxito, acredito que daqui há dois ou três anos a gente vai ter
outro cenário cultural na cidade, a nossa realidade vai ser outra”, é o que
espera a diretora da Casa de Cultura.
Uma cidade sem cinema
Segundo Rose Medeiros,
o fato de a cidade não ter mais nenhum cinema é em razão de um fenômeno que aconteceu
em todo o país, mas que muito em breve será revertido. “O município já percebeu,
a classe artística cobra, e também o poder público sabe dessa necessidade,
então acredito que será uma questão de tempo. Tive a oportunidade de conversar inúmeras
vezes com a diretoria do Cine Palácio, e ouvi deles e entendi perfeitamente a
dificuldade de manutenção de um espaço daquele, a manutenção é muito grande. Então,
vamos pensar em formatos menores que são as salas de cinema como já vem
acontecendo nas capitais há anos, salas com 60 ou 80 lugares. Tem que partir para
esse formato novo, e despertar nas pessoas novamente o interesse pelo cinema, de
voltar a ter o prazer de sair de casa e falar: Eu vou ao cinema!”, defendeu
Rose.



Nenhum comentário:
Postar um comentário