quarta-feira, 21 de maio de 2014

Mais da metade dos atendimentos ortopédicos no Hospital Municipal não são do município

Há 10 anos o hospital não recebe investimentos suficientes para ampliação e adequação do espaço, que funciona com equipamentos antigos precisando ser substituídos por modelos mais modernos. A nova diretoria fez um planejamento na ordem de R$600 mil para reformas e ampliação no número de leitos, porém, o hospital está bloqueado quanto aos investimentos do Estado, por causa da não prestação de contas da gestão passada.

O Hospital Municipal Dr. Raimundo Gobira atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). É credenciado no Ministério da Saúde com uma capacidade de atendimento para 72 leitos. Desse total, 27 são ortopédicos e os demais estão divididos entre clínica médica e clínica cirúrgica. No entanto, nos últimos oito meses, o hospital tem recebido uma demanda excessiva na área de ortopedia. “Essa demanda, no nosso entendimento, vem em decorrência do aumento do número de veículos, motocicletas principalmente em circulação causando mais acidentes. E a gente tem observado um aumento em torno de 50% no número de pacientes que dão entrada no hospital com acidentes de trânsito vindo a sofrer algum trauma ortopédico”, afirmou o diretor técnico do Hospital, Fernando Cesar Martins. 
 Segundo Martins, o hospital tem características próprias que permitem uma complacência dentro do arranjo interno, juntamente com o auxílio da central de regulação de leitos, que é quem oferece os pacientes que serão internados no local.  “Ela é regulada pelo Estado. Em comum acordo com essa central de regulação, nós fizemos um rearranjo interno diminuindo o número de leitos hospitalares, para os setores de clínica médica diminuindo os setores de internação para cirurgia geral, sendo que essas vagas para clínica médica e cirurgia geral foram remanejadas para outros hospitais como Santa Rosália, o Hospital de Itambacuri e o Hospital Bom Samaritano favorecendo uma complacência de leitos para receber mais casos de ortopedia”, explica.
De acordo com o diretor, essa nova configuração do hospital permitiu aumentar a demanda diária de 27 leitos ortopédicos para 45. “Neste momento o hospital chegou a um ponto de crise porque não há mais espaço físico dentro do hospital pra receber pacientes. Nos últimos dias nós chegamos a ter 90% dos nossos pacientes internados pacientes ortopédicos. A demanda do hospital que é 72 leitos nós chegamos a ter 69 pacientes internados pra ortopedia, quase que totalmente pacientes ortopédicos dentro do hospital”, destacou Fernando.
Farra de outros municípios
O grande dilema pelo qual atravessa o Raimundo Gobira tem a ver com a enorme quantidade de pessoas de outras cidades que buscam atendimento no hospital. Por ser referência em tratamento ortopédico, e ser conveniado ao SUSFácil tem permitido a entrada desses pacientes em Teófilo Otoni. “No entanto, como a demanda de portaria está muito grande, os municípios por sua vez não estão tendo paciência de aguardar aparecer a vaga. Eles mandam os pacientes para a porta do hospital e nós temos que acolher esses pacientes independente de ter vaga ou não, porque não podemos recusá-los. Consequentemente, a nossa tela de espera de pacientes que estão em outras cidades aguardando pra vir pra cá fica abarrotada, e não conseguimos dar essa vazão por absoluta falta de vaga no hospital. A gente coloca macas improvisadas às vezes até no corredor, mas não há mais condições nem de fazer isso porque não há espaço físico dentro do hospital. Além de todos os leitos estarem ocupados, eu tenho aqui na espera uma média de 10 a 15 pacientes por dia aguardando aparecer uma vaga para poder ser internado”, explica.
Para Fernando, a situação atual não pode ser confundida com a competência daqueles que administram o hospital. “Esse aumento absurdo da demanda não tem a ver com essa questão, pois o hospital passou por uma remodelação há um ano e oferece um número de leitos que é pactuado pelo SUS. O nosso centro cirúrgico tem capacidade para atender os casos de baixa e média complexidade, que é o que nós atendemos aqui, isso vem sendo feito. Nós temos uma média de 220 cirurgias realizadas por mês neste hospital. Nosso bloco cirúrgico hoje funciona de domingo a domingo, temos uma equipe de ortopedistas, inclusive com plantões extras em horários de pico. No entanto, nós chegamos a um ponto de não termos mais condições profissionais de execução do trabalho, porque o hospital tem várias regras que precisam ser cumpridas dentro da lei e normas do SUS”.
Solução para o impasse

O diretor técnico lembrou que a realidade dos serviços ortopédicos é um fenômeno que atinge todo o país, não sendo um predicativo apenas de Teófilo Otoni. Porém, muitos casos que poderiam ser tratados na cidade de origem são encaminhados para o Raimundo Gobira. “Existem vários hospitais na região de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri e Jequitinhonha, que teriam condições de prestar atendimento ortopédico. Há vários hospitais com o mesmo porte do nosso que tem equipes de ortopedia, mas eles não têm resolutividade, ou seja, casos que poderiam ser resolvidos na origem deixam de ser atendidos ali. Esse paciente é transferido para Teófilo Otoni, às vezes até sem vaga, eles mandam o paciente de ambulância e quando chega aqui na porta nós não podemos recusar. Sendo que aquele procedimento que a gente constata na porta era um procedimento sensível a tratamento no município de origem. Hoje o Raimundo Gobira atende 90% da demanda de atendimentos ortopédicos de toda a Macro Nordeste, são mais de 1 milhão de habitantes da Macro Nordeste, dentro dessa demanda de 90% mais de 50% das pessoas que atendemos não são do município de Teófilo Otoni”, afirmou Fernando Cesar Martins.

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